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Blog de pesquisa científica

Atualizado: 23 de set. de 2025




Você já imaginou transformar a casca de cacau, que costuma ser descartada, em um material inovador, útil e ecológico? Foi exatamente isso que um grupo de pesquisadores do LaBioCat fez ao criar um filme biodegradável a partir de nanofibrilas da casca de cacau, preservando os compostos bioativos importantes!


Transformando resíduo em inovação

A pesquisa foi realizada por meio de um processo mecânico, sem recorrer a produtos químicos ou enzimas. O diferencial foi usar essas nanofibrilas como base para filmes biodegradáveis, acrescentando glicerol como plastificante em diferentes concentrações (0, 1, 3, 5 e 7%).


Os pesquisadores examinaram diversas características importantes, como forma, estrutura e estabilidade térmica.


Qual a combinação ideal?

Eles descobriram que os filmes com 3 % e 5 % de glicerol apresentaram um conjunto de propriedades mais equilibrado:

  • Menor permeabilidade ao vapor d’água (o que beneficia durabilidade),

  • Maior capacidade de degradação em água, uma combinação interessante para uso em ambientes controlados ou planejados para compostagem.


Além disso, os filmes mantiveram os compostos aromáticos e fenólicos, responsáveis pela atividade antioxidante natural da casca de cacau. Isso significa que esses filmes podem oferecer proteção adicional contra oxidação, especialmente útil em aplicações alimentícias ou sensíveis à oxidação.


Este estudo abre portas para:

  • Aproveitar resíduos agroindustriais de forma criativa e valiosa;

  • Criar embalagens ou revestimentos biodegradáveis, aliados à sustentabilidade;

  • Proteger alimentos ou produtos sensíveis utilizando propriedades antioxidantes naturais, sem aditivos sintéticos.


É uma excelente demonstração de como materiais renováveis e métodos simples podem gerar soluções inovadoras, práticas e ecológicas, com enorme potencial para aplicações futuras, como embalagens com função ativa, filmes comestíveis ou outros materiais sustentáveis.


 
 
  • Foto do escritor: mfranco6
    mfranco6
  • 20 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura



Quando ouvimos falar em fermentação, a primeira imagem que vem à mente costuma ser a do pão crescendo no forno ou da cerveja fermentando em tonéis. Mas existe um outro tipo de fermentação, menos conhecido, mas muito importante no mundo da biotecnologia: a fermentação em estado sólido (FES).


Esse processo acontece quando microrganismos crescem sobre um substrato sólido com pouca umidade, ou seja, sem água livre disponível. Parece simples, mas é justamente essa característica que torna a FES tão especial. Afinal, ela recria de forma bem próxima o ambiente natural de muitos fungos, o que resulta em uma produção mais eficiente de enzimas e outros compostos de interesse.


Como em qualquer processo biotecnológico, a FES exige bastante cuidado. O crescimento microbiano e a qualidade da produção dependem de fatores como:


  • tipo de substrato utilizado;

  • espécie de microrganismo escolhida;

  • tempo de fermentação;

  • umidade, temperatura e pH adequados.


Cada detalhe faz diferença e pode impactar no resultado final. É por isso que os pesquisadores precisam ajustar com precisão essas condições para garantir uma boa produção.


Em resumo

A fermentação em estado sólido é uma técnica promissora que combina eficiência, sustentabilidade e baixo custo. Ao transformar resíduos em produtos de alto valor, como enzimas industriais, ela mostra o poder da biotecnologia em criar soluções inovadoras e mais próximas da natureza.

 
 

Atualizado: 19 de ago. de 2025





Mariana Checon, estudante do curso de Química da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e integrante do Laboratório de Biotransformação e Biocatálise Orgânica (LaBioCat), alcançou uma conquista notável: foi aprovada direto para o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da RENORBIO, com sede na Universidade Federal da Bahia (UFBA).


Sua trajetória acadêmica é marcada pelo envolvimento ativo com a pesquisa desde a graduação, especialmente através da Iniciação Científica no LaBioCat, onde desenvolveu habilidades, aprofundou conhecimentos e fortaleceu sua paixão pela ciência. Essa conquista reflete o impacto transformador da pesquisa na formação de jovens cientistas e reforça a importância dos programas de iniciação para abrir portas no universo acadêmico. 


Parabéns, Mariana!


Confira o relato de Mariana, onde ela compartilha os desafios, aprendizados e inspirações de sua trajetória até o ingresso direto no doutorado:


Como você conheceu o LaBioCat e por que decidiu participar?

Conheci o LaBioCat por indicação de uma colega que já fazia iniciação científica no laboratório. Eu precisava cumprir a carga horária obrigatória do curso e também iniciar o meu TCC, então vi ali uma ótima oportunidade. Desde o início fui acolhida e pude mergulhar de verdade no mundo da pesquisa.


Quais atividades você desenvolveu como integrante do LaBioCat?

Dentro do LaBioCat atuei com fermentação em estado sólido. Comecei com foco na produção de enzimas celulolíticas, mas, com o tempo, mudei o escopo para enzimas oxidativas. A partir daí, desenvolvi experimentos para avaliar a capacidade dessas enzimas em descolorir corantes. Foi um processo desafiador, mas riquíssimo, que resultou em dados, apresentações e artigos.


Como surgiu a ideia de fazer o doutorado direto?

A ideia de tentar o doutorado direto surgiu por uma questão prática. Eu me formei no meio do ano e teria que esperar alguns meses até os processos seletivos de mestrado. Como o edital da RENORBIO para o doutorado estava aberto, resolvi tentar, já que conhecia colegas que seguiram esse mesmo caminho.


Como você se preparou para essa seleção? 

Minha preparação envolveu principalmente o fortalecimento do currículo, algo que a iniciação científica ajudou muito, e a elaboração de um projeto de pesquisa. Essa foi, sem dúvida, a parte mais desafiadora. O tempo foi curto, cerca de um mês entre a abertura do edital e o prazo final. Apesar da experiência com o TCC, escrever um projeto completo, avaliando metodologias e viabilidade técnica, exigiu muito esforço e dedicação. Quando saiu o resultado e vi meu nome na lista de aprovados, senti um orgulho imenso e um alívio por já ter um caminho certo a seguir após a graduação, sem aquela sensação de estar no limbo depois da formatura.


O que você aprendeu no LaBioCat que foi fundamental para essa etapa?

O LaBioCat teve um papel fundamental em tudo isso. Foi lá que entendi como funcionam os programas de pós-graduação, que me vi como pesquisadora e aprendi, na prática, como se faz ciência.


Quais são suas expectativas para o doutorado? Que conselhos você daria para quem ainda está na graduação e sonha em seguir na pesquisa?

Minhas expectativas para o doutorado são grandes. Quero que seja um período de muita aprendizagem, amadurecimento profissional e crescimento pessoal. E, se eu puder deixar um conselho para quem ainda está na graduação e sonha com a pesquisa, seria: comece cedo. No primeiro ou segundo semestre, se possível. Isso faz toda a diferença, não só para construir currículo, mas para ganhar vivência, conhecer os caminhos da ciência e encontrar o que realmente te motiva.

Obrigada a todos que me apoiaram nesta jornada, especialmente à equipe do LaBioCat e aos professores que me guiaram até aqui. Que venham os próximos desafios!


 
 
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