
Conheça a trajetória e as pesquisas das mulheres cientistas que fazem parte do nosso laboratório. Suas histórias inspiram e suas descobertas contribuem para o avanço da ciência e da sociedade.

Isabela de Moura
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (RENORBIO) na Universidade Federal da Bahia (UFBA, Brasil), instituição onde também concluiu a graduação em Biotecnologia. Durante a graduação, envolveu-se em pesquisas em microbiologia industrial e ambiental voltadas à geração de bioprodutos, participando de projetos de isolamento de microrganismos de poços maduros de petróleo, cultivo e monitoramento de bactérias anaeróbias obrigatórias de relevância para a indústria do petróleo (principalmente bactérias redutoras de sulfato – BRS), além do cultivo de microalgas em meios alternativos baseados em águas residuais industriais, com produção de bioprodutos como lipases e biossurfactantes de origem bacteriana. Ao final da graduação, realizou um estágio de um semestre no Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento do Espírito Santo (CPID-ES), onde atuou em pesquisas de isolamento de microalgas provenientes de corpos hídricos e de uma lagoa de alta taxa de estação de tratamento de esgotos da região metropolitana de Vitória (ES). Paralelamente, desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o efeito do estresse metálico na produção de exopolissacarídeo (EPS) bacteriano. Após a defesa do TCC, retornou ao CPID-ES como bolsista em Desenvolvimento Tecnológico e Industrial, adquirindo experiência na operação de equipamentos de análise elementar (CHNS-O), na produção de biogás em AMPTS, na operação de biorreatores de tanque agitado (5 L), além de participar de treinamentos em cromatografia líquida e gasosa. Posteriormente, integrou o grupo de pesquisa do Laboratório de Biotransformação e Biocatálise Orgânica da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), onde atuou por um semestre, também como bolsista em Desenvolvimento Tecnológico e Industrial, antes de iniciar suas pesquisas de doutorado no mesmo grupo. Durante o primeiro semestre do doutorado, realizou estágio como pesquisadora visitante na Universidad Autónoma de Coahuila (UAdeC - México), participando de um projeto de desenvolvimento de bioprocesso para produção de bioetanol a partir da casca de cacau e cultivo de microalgas, com foco na integração da segunda e terceira geração de biorrefinarias. Nesse período, adquiriu experiência no manejo de reatores hidrotérmicos e no processamento de biomassas lignocelulósicas por meio de autohidrólise. De volta ao Brasil, contribuiu para a implementação da linha de pesquisa com microalgas no laboratório, sendo uma das responsáveis pela criação e manutenção do banco de cepas de microalgas, todas isoladas da região. Atualmente, realiza um período de doutorado sanduíche na mesma instituição (UAdeC – México), investigando o uso de autohidrolisados de misturas de biomassas lignocelulósicas como meios alternativos para o cultivo de microalgas, visando à subsequente extração de compostos de interesse industrial.
Taíse Amorim Ribeiro
Formada em Biologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB, onde também conclui o mestrado em Engenharia e Ciências de Alimentos. Atualmente sou doutoranda em biotecnologia pelo programa Renorbio na Universidade Federal da Bahia – UFBA e atuo como pesquisadora no Labiocat, localizado na Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC. Minha pesquisa envolve a produção da biomassa de microalgas a partir de águas residuais de indústrias buscando alternativas sustentáveis. Paralelamente participo de um projeto de colaboração internacional no Universidad Autónoma de Coahuila- UAdeC, no México, na qual desenvolvemos estudos sobre o aproveitamento de resíduos da agroindústria visando a produção de etanol.


Roberta de Souza
Quero compartilhar aqui um pouco da minha caminhada, que mistura ciência, descobertas, desafios e também muitas histórias da vida pessoal. Me chamo Roberta, sou natural de Brumado, uma cidade do interior da Bahia com pouco mais de 70 mil habitantes. Venho de uma família humilde e fui a primeira a sair da minha cidade para fazer faculdade, a primeira a me formar e conquistar uma profissão. Esse já foi um passo enorme e cheio de significado para mim e para minha família. Comecei minha graduação em Ciências Biológicas em 2010, na UESB, em Vitória da Conquista, a pouco mais de 100 km da minha cidade natal. Desde cedo, os caminhos da biologia me levaram para a microbiologia e áreas afins. Em 2015 concluí a graduação, já sonhando em seguir para o mestrado. Mas a vida também me trouxe outros presentes e responsabilidades. Em 2016, engravidei da minha filha e pensei, por um momento, que o sonho do mestrado ficaria para trás. Só que em 2017, com ela ainda bem pequena, decidi encarar o desafio e comecei o mestrado em Biociências na UFBA, campus Vitória da Conquista. Atuei no campo da Microbiologia Agrícola, com ênfase em biodiversidade microbiana do solo. Foram dois anos de noites mal dormidas, muita correria e a difícil missão de conciliar o papel de mãe com o de pesquisadora. Foi desafiador, principalmente por ser algo novo, mas não impossível. Consegui concluir o curso com a certeza de que a maternidade não apaga sonhos, apenas os fortalece. Depois, passei dois anos amadurecendo a ideia de fazer doutorado. Quando decidi, sabia que só faria se fosse com algo que realmente brilhasse aos meus olhos. Passei na seleção e iniciei meu doutorado em Ciências de Alimentos, pela UESB de Itapetinga, desenvolvido na UESC, mais precisamente no LABIOCAT, sob orientação do professor Marcelo Franco. Meu projeto tem como foco o desenvolvimento e a avaliação de alimentos funcionais, principalmente pró e prebióticos. Hoje, vivo uma etapa ainda mais especial, o doutorado sanduíche na Universidade do Minho, em Braga, Portugal. Aqui, desenvolvo pesquisas com suco prebiótico, avaliando sua interação com a microbiota intestinal por meio de análises de digestão in vitro, utilizando técnicas como INFOGEST, além de estudos de fermentação fecal. Algo que considero muito marcante na minha história é que, diante do meu contexto familiar, eu nunca imaginei sair do país para estudar. Hoje realizo um sonho que parecia distante, principalmente estando com minha filha ao meu lado. Poder conhecer outros países e laboratórios por meio da ciência tem sido uma grande conquista, alcançada em um caminho cheio de desafios, mas também repleto de boas colheitas. Ser mãe, mulher e cientista não é um caminho fácil, às vezes, parece mais pedregoso que o de outros. Mas sigo acreditando que, com fé, coragem e organização, é possível vencer cada etapa. Fazer ciência, para mim, não é apenas uma profissão, é um sonho realizado. Amo pesquisar, amo a ideia de descobrir coisas novas e de contribuir, mesmo que um pouquinho, para transformar realidades.




